segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O dia em que Asdrubal morreu

Eu _^_
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Não nos conhecemos logo de cara, vez ou outra ouvia ou via algo que me fazia ver que tinhamos mais alguém em casa. A primeira vez que o vi foi em uma manhã, estava preparando meu desjejum quando o vi correr para fora para brincar, eu ignorante e bruta gritei assustando o coitado.
No começo ele tinha um porte atlético, corria bem, parecia saudável. Vivíamos uma rotina, de manhã ele saia, de tarde cuidava da casa e de noite durmia quietinho na cozinha. Não atrapalhava ninguém de fato, mas eu me assustava com seu jeito diferente de ser. Após alguns dias a boa vida lhe deu algum peso, já tinha dificuldade para correr, um glutão. Até o dia em que arquitetei um plano terrível para me livrar dele e pior: induzi o Eder a fazer isso. Como se pressentisse o perigo Asdrubal saiu um dia e após ver que sua estadia não era mais bem vinda foi embora.
Era isso que achávamos, depois de dias sem vê-lo, já corroída pelo remorço fui, por um acaso, perto da armadilha funestra que preparara e lá estava ele, posso dizer que estava pálido, com os olhos abertos com uma expressão de quem descobre a traição, posso dizer, mas seria mentira. Assim que vi seu corpo saí desesperada correndo para o quarto para o Eder, mais uma vez ele designado para o serviço sujo, desse um fim no corpo.
Asdrubal, como seu chará cartagiano foi traído e morto com uma punhalada no peito. O único bichinho de estimação que nos aceitou e voltou para nós jaz morto em algum lixão de Goiânia...

3 comentários:

Perséfone Weber disse...

Ótimo, meu amor, ótimo mesmo. Adorei o seu relato sobre o Asdrubal, e não é puxação de saco, tu é foda mesmo.

Mariana Sikora Silva Souza disse...

oO

Quem ser o ser?

=***

Perséfone Weber disse...

Ele era um rato.